Frequentemente apresentamos aqui em AgAir Update o que chamamos de “empresas de segunda geração”; com isso geralmente nos referimos a uma empresa que foi fundada anos atrás por um piloto/empreendedor e depois é assumida por seu filho ou filhos. Este não é o caso da Tom Aviação Agrícola, de Itápolis, interior de São Paulo, pois foi fundada não pelo pai mas sim pelo filho, sendo que o pai ingressou na empresa posteriormente.
O piloto/empreendedor aqui é Daniel Martins Tomasin. Nascido em Itápolis, filho de um veterano piloto agrícola, não foi surpresa quando Daniel optou por seguir os passos de seu pai, Pedro José Tomasin, que se formou piloto agrícola na 3ª turma do CAVAG de 1977 da Fazenda Ipanema. Pedro Tomasin teve uma longa e diversificada carreira, e algumas de suas experiências estão narradas no livro “Voando sobre o Algodão”, do piloto agrícola e autor Francisco de Moura Pereira. Daniel Tomasin começou a voar em 1991 e em 1994 se formou na 1ª Turma do Curso de Piloto Agrícola então ministrado pelo Aeroclube de Itápolis (veja “Primeira Turma de Pilotos Agrícolas Formada em Itápolis Comemora 30 Anos”, AgAir Update de setembro de 2024).
Ele provavelmente impressionou seus instrutores, pois foi convidado para ajudar na instrução da turma seguinte! Além disso, durante aquele CAVAG, conheceu e fez amizade com Adonis Mazutti Correa, amizade que dura até hoje como veremos. Embora ainda não fosse piloto agrícola, Adonis já possuía uma empresa aeroagrícola chamada Águas Claras Aviação Agrícola em Santa Juliana, Minas Gerais, em parceria com um primo seu, e o pai de Daniel, Pedro, voava para ele como piloto contratado (leia sobre a Águas Claras Aviação Agrícola na edição de julho de 2024 de AgAir Update).

Daniel voou sua primeira safra em 1994-95, em um Ipanema, para uma fazenda em Guanambi, na Bahia. Depois, na safra seguinte, assumiu o lugar do pai pilotando um Piper Pawnee para a Águas Claras, junto com Adonis. Daniel voou para a Águas Claras Aviação Agrícola até 2002, quando Adonis vendeu a Águas Claras. Daniel então decidiu iniciar sua própria empresa. Em sociedade com um mecânico aeronáutico, compraram um Ipanema EMB-201A e fundaram a Tom Aviação Agrícola, voando cana-de-açúcar e laranja na região de Itápolis e em Minas Gerais. Dois anos depois, em 2004, o mecânico saiu da sociedade e levou com ele o Ipanema, deixando Daniel com a empresa. O pai de Daniel, Pedro, assumiu então o lugar do mecânico como sócio, e eles compraram um Ipanemão 202 e arrendaram um Ipanema EMB-201A. Os dois trabalharam duro, e no ano seguinte compraram um Cessna Ag Husky. Em 2008, Adonis, o velho amigo de Daniel, pediu para se juntar a eles como terceiro sócio na empresa. Quatro anos antes, Adonis havia vendido a Águas Claras Aviação Agrícola para tentar a sorte como produtor rural, decisão da qual se arrependeu mais tarde. Logo após Adonis se juntar à sociedade na Tom Aviação Agrícola, eles souberam que a Águas Claras Aviação Agrícola estava à venda. Conhecendo bem aquele mercado, os três sócios então compraram a Águas Claras, sem um avião sequer, apenas a base e o nome. Eles transladaram um avião da Tom Aviação Agrícola para Santa Juliana e arrendaram outro, para que a Águas Claras voltasse a operar.


Por algum tempo Daniel se alternou entre voar em Itápolis pela Tom Aviação Agrícola e em Santa Juliana pela Águas Claras até que finalmente fizeram a Águas Claras voltar a funcionar por conta própria, quando se estabeleceu o arranjo atual, em que os três são sócios nas duas empresas, com Adonis comandando a Águas Claras e Daniel operando a Tom Aviação Agrícola. Logo a seguir, em 2009, a Tom Aviação Agrícola comprou seu segundo Ipanema, um EMB-202A financiado, e no ano seguinte comprou o terceiro, outro EMB-202A.


Até 2012, a Tom Aviação Agrícola manteve sua base no Aeroporto Municipal de Itápolis. Embora eles apenas mantivessem seus aviões, sem realizar operações agrícolas a partir de lá, a escola de aviação agrícola que Daniel e Adonis tinham cursado tinha se separado do Aeroclube de Itápolis e se transformado em uma das maiores academias aeronáuticas do Brasil, a EJ Escola de Aeronáutica, mantendo lá uma de suas bases. Havia uma percepção de que aviões agrícolas e aviões de treinamento não se misturavam, então em 2012 Daniel adquiriu um terreno e fez uma pista de pouso particular de 800 metros para a Tom Aviação Agrícola (SIHY). Quando ele foi construir seu hangar lá, órgãos federais, estaduais e municipais resolveram fiscalizá-lo, incluindo o corpo de bombeiros local, que exigiu que o hangar tivesse um sistema de sprinklers alimentado por um tanque de água de 33.000 litros, exigência que ainda não tínhamos visto em nenhuma outra das empresas que visitamos.


No ano seguinte, 2013, com os negócios melhorando, a empresa tomou a decisão de comprar seu primeiro avião a turbina, um Air Tractor AT-502B da AeroGlobo, seguido pela importação de um Air Tractor AT-401B radial em 2014. Este AT-401B radial foi vendido e em seu lugar adquirido um Air Tractor AT-502B usado da AeroGlobo em 2017, e em 2019 outro AT-502B usado, também adquirido da AeroGlobo, se juntou à frota.


Hoje, a Tom Aviação Agrícola possui dois Air Tractors AT-502XPs (um deles compartilhado com a Águas Claras), quatro Air Tractors AT-502Bs e dois Ipanemas EMB-202As. Daniel está satisfeito com o desempenho dos Air Tractors AT-502B, mas investiu nos dois AT-502XPs para ter melhor rendimento nas operações feitas com a Águas Claras Aviação Agrícola em Santa Juliana, onde algumas lavouras estão a 3.000 pés ASL ou mais. Além disso, a Tom Aviação Agrícola voa em contratos privados de combate a incêndios na entressafra – todos os seus Air Tractors são equipados com comportas de combate a incêndios da Zanoni – e Daniel diz que a potência extra do AT-502XP ajuda muito nas operações de combate a incêndios.


Além da ênfase nos aviões de maior porte, Daniel também ressalta a importância de ter os Ipanemas para as lavouras menores, esclarecendo que alguns clientes tem pistas que não comportam os grandes turboélices.


Daniel e Pedro não voam mais, dedicando-se apenas à gestão do negócio. Quem voa são pilotos agrícolas muito experientes, escolhidos a dedo por Daniel. Pilotos como Renato Guido Giongo, também graduado daquela 1ª Turma do Curso de Piloto Agrícola do Aeroclube de Itápolis, já em sua 31ª safra, Vandré Lencioni Camargo, com mais de 20 safras, Waldermar C. Cavichiolli, com mais de oito safras.
