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Low & Slow – Prefácio & Prólogo

Prefácio – F. Farrell Higbee

Quando entrei no meu Bonanza Modelo S, em 1º de maio de 1967, para voar para Washington, D.C., e me tornar Diretor Executivo da National Aerial Applicators Association, foi depois de ter passado quatorze anos vendendo defensivos agrícolas para aplicadores aéreos, desde o rio Mississippi até as Montanhas Rochosas.

A essa altura, esses sujeitos eram uma curiosa mistura de personagens. Muitos dos mais velhos foram instrutores de voo durante a Segunda Guerra Mundial e na Coreia; os mais novos eram muitas vezes filhos de agricultores. Seu número tinha diminuído de 40 mil para cerca de 8 mil, principalmente porque era um negócio difícil, exigente e quase “24 horas por dia”. Ainda havia muitos veteranos por aí, que tinham iniciado suas empresas nas décadas de 1920 e 1930. Minhas aventuras com eles, que foram muitas, me ensinaram que a indústria era “orientada para as pessoas”, mais uma arte do que uma ciência, e certamente uma “Indústria de Inovadores”.

Durante meus primeiros dias em Washington, uma das pessoas que me contatou foi Mabry Anderson, de Clarksdale, Mississippi, que dirigia uma importante empresa de aviação agrícola conhecida como Mississippi Valley Aircraft Service. Existia um problema sério para a indústria de pulverização de culturas nas regiões de cultivo de algodão, no qual o Departamento de Agricultura dos EUA estava mais ou menos a forçar os agricultores a plantar as suas culturas no padrão de quatro em quatro em vez de fechado ou em dois para um. Essa prática era ruim para a produção e certamente ruim para a utilização dos aviões. Entre nós dois, conseguimos que o USDA permitisse que os produtores voltassem ao padrão dois para um. Foi a capacidade de escrita de Mabry, aliada ao seu profundo conhecimento da aviação agrícola, que finalmente convenceu os responsáveis.

O Ag-2 da Transland, aqui  em um voo de demonstração, incorporou muitos recursos de segurança para o piloto. Foi uma das aeronaves agrícolas mais extensivamente testadas já construídas em sua época.

Assim, tornou-se imediatamente óbvio para mim que Mabry era uma pessoa que poderia fazer justiça a uma “perspectiva histórica” da indústria da aviação agrícola e não demorou muito para encontrar muitos outros que partilhavam a minha opinião!

Pedimos, bajulamos, ameaçamos, imploramos e, finalmente, fechamos um acordo para publicar em série um livro na revista de nossa Associação, “O Mundo da Aviação Agrícola”. Eu o fiz prometer que colocaria seu trabalho em forma de livro para que todos pudessem desfrutar. Como você pode ver, demorou alguns anos para concluir o trabalho. Mas, então, é preciso lembrar que é uma tarefa difícil capturar o espírito e o coração de um gigante gentil composto por tantas personalidades fascinantes e diversas, especialmente porque Mabry teve que confiar muito em suas próprias experiências e memórias, além das anedotas de outros.

Todas essas pessoas, incluindo o próprio “Sonny”, como Mabry é conhecido pela maioria de seus amigos, tinham várias coisas em comum: sua coragem, seu patriotismo, sua ética de trabalho, sua crença em um Ser Supremo e seu amor por voar e por máquinas. Para mim, “Low and Slow” é uma notável pintura verbal da vida e dos tempos das pessoas que dedicaram suas vidas ao excelente sistema de produção de alimentos e fibras da América e à saúde e ao bem-estar de nossa nação!

Avião Huff-Daland aplicando defensivo em pó em 1924. Este é um Huff-Daland original com motor Liberty WWI de 400 HP. Foto cortesia da Delta Air Lines. Inc.

PrólogoMabry I. Anderson

A aviação agrícola, originalmente conhecida nos EUA como “crop dusting” (literalmente, “polvilhamento de lavouras”) é uma ciência relativamente nova, tendo começado em 1921. No entanto, compilar uma história razoavelmente precisa de seu desenvolvimento é uma tarefa monumental, devido a fatores singulares geralmente não associados com uma atividade próspera e disseminada. Entre eles, estão uma severa falta de registros escritos e coerentes; muitos desenvolvimentos técnicos por indivíduos isolados, ao invés de através de esforços planejados e em grupo; pobre distribuição de avanços na arte, resultando em horas de esforços duplicados, e pessoas motivadas pelo desejo de voar, ao invés de ambição econômica.

Como resultado destes e outros fatores, mais “lendas de hangar” foram criadas do que documentadas. E, ao se revisar as provas que existem, é extremamente difícil separar fato de ficção.

Felizmente, algumas circunstâncias favoráveis existem. Principalmente, a de que muitos dos verdadeiros pioneiros ainda estão vivos e podem ser entrevistados “olho no olho” (Nota do Tradutor: o livro original foi escrito em 1985!). Muitas destas pessoas são amigos pessoais de longa data, que me permitiram fazer isso. Excelente cooperação foi recebida de firmas e pessoas de todas as partes do país, as quais tiveram um papel no desenvolvimento da aviação agrícola. Material sem preço, incluindo fotos, documentos pessoais, impressos raros, recortes amarelados de jornal e outras memorabilias foram fornecidas, as quais tornaram possível compilar uma história razoavelmente precisa.

Infelizmente, em um empreendimento deste tipo, coisas que deveriam ter sido ditas acabam sendo omitidas e indivíduos que contribuíram grandemente para a aviação agrícola ficaram de lado. Incluir absolutamente tudo e todos seria obviamente uma tarefa impossível, e por isto este autor pede desculpas. O autor agradece sinceramente àqueles que não receberam o devido reconhecimento por sua parcela em tornar a aviação agrícola o negócio vital, essencial e totalmente fascinante que é hoje. Voe baixo e devagar, e mantenha suas rodas fora do algodão!

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